Insegurança é a marca do cotidiano. Basta olhar ao redor e constatar como a violência está presente em todas as partes. Nas escolas a situação não é diferente. Estudos comprovam como a violência vem tomando proporções cada vez maiores. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Fernand Braudel em parceria com a Fundação Victor Civita mostra que os casos de violência mais citados pelos pais dos alunos de colégios públicos de São Paulo são agressões físicas 45%, roubos e furtos aparecem com 40% e o consumo de drogas32%. Os pais temem pela segurança dos filhos na escola. Isso não é parte apenas da realidade brasileira, em outras cidades como Londres, Nova York as pessoas também vivem esse problema. Esta semana um caso de violência chamou atenção, um estudante abriu fogo em uma escola de uma pequena cidade da Finlândia, Helsinque. Ele matou pelo menos dez pessoas e suicidou. O atirador Matti Juhani Saariera era aluno do estabelecimento, ele invadiu uma sala e começou a atirar contra todos na escola às 11 horas da manhã. Foram cerca de uma hora e meia de tiroteio na escola de Kauhajoki. Mas o que leva uma estudante a agir desta forma?
Entre os fatores que interferem diretamente no comportamento das crianças e dos jovens está a relação que esses alunos vivem em casa, a condição social, a interferência da mídia com suas programações violentas. Muitas vezes eles presenciam cenas de violência no lar, briga entre os pais e isso acaba interferindo no seu modo de agir. Não há como reduzir a violência apenas no que diz respeito à violência física, pois há várias formas da mesma, tão graves quanto. Em geral, são atos contra a integridade física, moral e social do indivíduo e da coletividade, manifestações de indisciplina, agressividade entre os alunos e contra os professores, depreciação do patrimônio da escola. As agressões verbais, o preconceito em suas mais variadas espécies, o não preparo da escola em receber um aluno com necessidades especiais. Isso tudo engloba a violência, mas é um erro grave pensar que essa realidade faz parte apenas das grandes metrópoles como o rio de janeiro e São Paulo onde o índice de violência é alto.
Em Juiz de Fora a situação não é diferente. Pesquisa realizada pela 70ª Companhia de Polícia Militar nas escolas da região leste da cidade procurou compor um painel amplo da violência escolar. A pesquisa sobre vitimização possibilita conhecer fatos concretos de violência nas escolas e os mecanismos que favorecem a construção da violência. A pesquisa contou com a participação de 1334 alunos, entretanto 1217 alunos evolveram os questionários distribuídos para a pesquisa sem respondê-los. Os resultados indicam que:
55,5% dos alunos responderam que existe
violência na escola onde estudam.29,73% dessa violência ocorre
dentro da escola e 62,91% disseram que a violência ocorre fora da
escola entre alunos e outros menores. Quando perguntado se existe
roubo dentro da escola, 41% responderam que sim e 14% disseram
que não. Foi perguntado se no último ano o aluno havia participado de
algum roubo na escola e 4%, ou seja, 47 deles declararam ter
participado do roubo no interior da escola. 9% não responderam.
Se já haviam sido roubados 31,80% relataram que sim, mais
de uma vez. Embora se observe um discurso de banalização dessas
ocorrências na escola, quando constatado no questionário
“apenas canetas” é necessário enfatizar que qualquer que
seja o roubo, ele é uma forma de transgressão
e de desestabilidade do clima escolar, uma vez que
reforça a desconfiança na escola . Quando se trata
de violência física 8% disseram que já apanharam na escola, 31% bateu em alguém e 24%brigaram na porta da escola.23% dos entrevistados (281 alunos) viram arma de fogo, num total de 402 armas, entre canivete, punhal,faca e revólver. Destes 55,4% disseram ter entrado com armas na escola e 8% negaram responder, somando estes dois, podemos constatar que o n° poderá ser maior que o apresentado.
Essa pesquisa foi realizada com o intuito da prevenção ativa, o chamado policiamento preventivo. Esses problemas estão presentes em todas as partes da cidade e não acontece apenas em escolas públicas, na rede privada o índice é menor, mas é existente.
Atitudes urgentes dever ser tomadas para que essa situação não se perpetue. Por quanto tempo mais vamos achar normal viver num país que é dominado pela violência, pelo medo, pela insegurança? Até quando vamos fingir que nada está acontecendo e que não estamos enxergando?
Agora mais do que nunca é necessário fazer valer o cooperativismo, a união entre pais, alunos, professores e a realização de um trabalho multidisciplinar juntamente com os profissionais da área. A ferramenta para resolver este problema é a informação. A tarefa de educar as crianças, os jovens não é isolada, os valores sociais, os limites devem ser impostos tanto pelos pais, quanto pelas instituições de ensino. Essas atitudes são capazes de solucionar se não completamente, grande parte do problema e fazer com que a escola volte a ser um lugar tranqüilo onde os pais não precisem se preocupar e a escola por sua vez, continuará a desenvolver seu verdadeiro papel: que é a difusão de cultura, conteúdo, conhecimento. Afinal é através da educação que um país se desenvolve pois os sonhos das crianças e jovens existem independentemente da classe social, o estímulo para que eles tenham um projeto de vida é indispensável para que de fato se tornem verdadeiros cidadãos.